TRADUÇÃO OU TRANSLITERAÇÃO?

27/12/2011 02:07

Nomes próprios não se traduz?


Mas eles questionam essa "tradução", argumentando que nomes não se devem traduzir, mas sim transliterar.
Lembrando que tradução é simplesmente a transposição de uma composição literária de uma língua para outra. Já a transliteração é a versão das letras de um texto em certa língua para as letras correspondentes de outra língua, isto é, fazer corresponder letras que tenham o mesmo som.
Este procedimento é interessante e correto, e por vezes é utilizado nas traduções da Bíblia.
Mas mesmo este argumento pode ser questionado. Por exemplo, não deveríamos chamar Deus de Deus, e sim de Yhvh (como é que se pronuncia isso?), que é uma transliteração do tetragrama hebraico. A substituição por Adonay, porém, fez com que a pronúncia de Yhvh se perdesse no tempo, e o que conhecemos hoje por Jeová é também uma tentativa de traduzir este vocábulo, mas não significa que está correto também.

Neste ponto, muitos estão se perguntando qual seria a tradução correta do nome Yehôshua ou Yeshua para a língua portuguesa? Na realidade nomes próprios "geralmente" não se traduzem, mas se translitera conforme a índole de cada língua. Os nomes Eva, David e outros que levam a letra w wav, "v" em hebraico aparecem como Eua, Dauid, nos textos gregos. No grego moderno a letra b beta b na antigüidade", hoje é v. Hoje se escreve Dabid para David e Eba para Eva..
Não se traduz Bill Gates (do inglês) para Guilherme Portões em português. Também não se traduz Michael Jackson para Miguel Filho de Jacó. Também é errado simplesmente escrever um nome em português da forma como ouvimos em inglês: "Maicou Djéquisson", por exemplo, seria uma esquisitice sem tamanho! O nome deve ser mantido na forma como se escreve no original e, na medida do possível, deve-se manter a pronúncia da língua original.

Exceções à Regra

Então isto significa que quando formos escrever o nome do Salvador devemos simplesmente escrever Yeshuah? É lógico que não! Quando a língua original do nome próprio usar um conjunto de caracteres diferente do nosso, então se processa o que chamamos de transliteração.
Transliteração como vimos acima é a "tradução" letra por letra (ou fonema por fonema) de um conjunto de caracteres para outro. Idiomas como o inglês, espanhol, francês e italiano usam o mesmo conjunto de caracteres que o português (A, B, C, D etc...), portanto não há transliteração entre palavras destes idiomas; mas idiomas como o hebraico, árabe, japonês e grego usam outros conjuntos de caracteres. Nestes casos utilizamos a transliteração para podermos representar em nosso conjunto de caracteres nomes próprios escritos originalmente em outro conjunto de caracteres.
As regras de transliteração não são complicadas. Vamos tomar como exemplo o conjunto de caracteres gregos: a (alfa), ß (beta), ? (gama), d (delta), e assim por diante. Numa transliteração de nomes escritos com caracteres gregos, cada letra grega é substituída por uma letra do conjunto de caracteres latinos. Por exemplo, a letra a (alfa) seria transliterada para a letra "A", a letra ß (beta) seria transliterada para a letra B, e assim por diante.


Há nomes que permanecem inalteráveis em outras línguas, mas não são todos. Como já dissemos, nome próprio, geralmente não se traduz; mas às vezes, sim. E o nosso maior exemplo vem justamente da Bíblia Sagrada. Foi o que aconteceu com Simão, a quem Jesus disse: "O seu nome é Simão... de agora em diante o seu nome será Cefas (que quer dizer Pedro)" (João 1.42). Cefas é palavra aramaica que quer dizer "pedra". Pedro é em grego Petros, que quer dizer "pedra". E esse nome, resultado de tradução e não de transliteração, foi o que se tornou mais comum, e baseado nele foi que Jesus construiu o trocadilho registrado em Mateus 16.18.

Exemplos clássicos:

João - O nome "João", por exemplo é Yohanan, em hebraico; Ioannes, em grego; John, em inglês; Jean, em francês; Giovani, em italiano, Juan, em espanhol; Johannes, em alemão.
Jacó - Jacó, em hebraico é Yaakov; Iakobo (Tiago), em grego; Jacques, em francês; Giácomo, em italiano; Jacob, em inglês.

Todavia, há nomes que mudam substancialmente de uma língua para outra.

Eliazar, em hebraico, é Lázaro em grego.

Elisabete é a forma hebraica do nome grego Isabel.

O argumento, portanto, de que todo nome deve ser preservado na forma original, em todas as línguas é inconsistente, sem apoio bíblico.

Dai notamos que o nome "Jesus" é resultado da transliteração pura e simples do original grego Iesous (pronuncia-se Iesus), contradizendo a hipótese de que o nome "Jesus" originou-se através de uma tentativa mal intencionada dos papas de blasfemar do nome do Salvador.

Para definitivamente remover qualquer dúvida sobre o assunto, basta consultar a versão Septuaginta (LXX), uma tradução do Velho Testamento feita por setenta (?) mestres judeus no segundo século antes de Cristo. Eles traduziram o Velho Testamento do hebraico para o grego a fim de atingir os judeus da dispersão. (Lembre-se que o grego era a língua mais falada no império Romano). Nesta versão o nome de Josué, que em hebraico se escreve Yehôshua' , ou em sua forma abreviada Yeshuah, foi transliterado para o grego exatamente da mesma forma que o nome de Jesus no Novo Testamento.

Trecho do Livro de Josué 1:10-12 na Septuaginta

Os sábios judeus transliteraram a letra hebraica ? (shin) para a letra grega s (sigma). A transliteração de "shin" para "sigma" foi feita em outros casos. Veja a tabela abaixo:
NOME EM PORTUGUÊS NO HEBRAICO TRANSLITERAÇÃO NA LXX TRANSLITERAÇÃO PARA CARACTERES LATINOS

Esaú (`Esav) esan Esaú

Sete (Shen) shq Seth

Moisés (Mosheh) mwushs Moises

Isaías (Yeshayah) hsaias Esaias

Oséias (Howshea) wshe Hosee

É importante ressaltar que na transliteração de um conjunto de caracteres para outro, nem sempre a pronúncia original é mantida. Isto ocorre porque nem todos os fonemas de um idioma têm representação gráfica e podem ser devidamente pronunciados em outro idioma.
Da análise destes fatos concluímos que a forma Iesus ou Jesus é totalmente adequada para nos referirmos ao nosso Salvador e nada há de blasfêmia colocada por Jerônimo.
Até hoje existem palavras em português que não tem tradução em Inglês. Por exemplo as palavras: saudade, feijoada, brigadeiro, salgado, corte de carne etc...precisam ser parafraseadas em inglês.
Finalmente, o Movimento do Nome Yehoshuah tem uma antropologia distorcida. Na Bíblia, o nome é como um sinônimo da própria pessoa. A pessoa é o que é, e não deixa de o ser se seu nome for traduzido ou transliterado para outra língua. Saulo de Tarso não mudou quando foi chamado de Paulo. Simão não deixou de ser o que era quando foi chamado por Jesus de Pedro. Ademais, o nome Josué (equivalente hebraico do nome Jesus - o Novo Testamento grego não distingue entre Josué e Jesus) aparece como Jeshua cerca de 29 vezes nos livros de Crônicas, Esdras e Neemias (incluindo Ed 5.2 em aramaico), assim como Jehoshuah aparece cerca de doze vezes em Ageu e Zacarias. Muitas vezes esses dois nomes se referem à mesma pessoa, o filho de Jozadaque.

 

O NOVO TESTAMENTO FOI ORIGINALMENTE ESCRITO EM HEBRAICO?

Este é mais um dos absurdos propalado pelos líderes deste movimento. Dizem que todo o Novo Testamento foi escrito em hebraico. Eles falam isto sem nenhuma prova material. Nenhuma evidencia é mostrada que apóie tal teoria. Mas este argumento é muito importante para eles, pois se o NT foi escrito em hebreu o nome de Jesus deveria ter sido escrito como Yehoshua. Caso contrário isto anularia o peso da argumentação de toda a teoria em cima disto.

O evangelho de João

A igreja onde congrego possui missões na América Central, em países como Honduras, Peru e Nicarágua. Quando recebemos cartas dos missionários brasileiros eles geralmente referem-se aos acontecimentos do povo no qual se encontram como os "nicaragüenses", "os peruanos", o "pessoal de Lima" e assim por diante. Por outro lado quando enviamos nossas correspondências a eles, não precisamos usar esta linguagem nos referindo como "os brasileiros", "os paulistas" ou os "cariocas", quando falamos de acontecimentos de nossa nação. Há uma simples razão para tudo isso: é que estamos escrevendo a outra pessoa de nossa própria nação, um brasileiro. Ele não precisa dessas referências, pois conhece muito bem sua pátria. Mas, por outro lado, os acontecimentos que eles relatam estão falando de um povo diferente do nosso, com costumes e línguas diferentes, então aí se faz necessário o uso de tais expressões.


Os judeus no evangelho de João

Este mesmo exemplo que relatamos acima é encontrado no Evangelho de João. Lucas e João usa mais de oitenta vezes a expressão "os judeus". Isto prova que nós estamos lendo um livro "não judaico" escrito para pessoas de outra nacionalidade.

Veja alguns poucos exemplos e tire você mesmo a conclusão:

"E este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para que lhe perguntassem: Quem és tu?" (João 1.19)

Esta é a primeira referência feita por João aos judeus em seu Evangelho.

Tão logo ele introduz esta referência em sua narrativa, ele os denomina de "os judeus". Ele os identifica como de uma nação diferente daquela a qual ele está a escrever. De outro modo por que então ele iria dar esta explicação? João escreveu seu evangelho para não-judeus de nacionalidade grega.
Considere outro exemplo:

"E grande número dos judeus chegou a saber que ele estava ali..." (João 12:9)

Veja que para seus leitores ele faz uma referência, ele diz "grande número dos judeus". Seria desnecessário ele mencionar esta explicação se seus leitores fossem judeus?!

Ele usou este recurso para dizer às pessoas as quais estava escrevendo que os judeus eram uma nação diferente.

A mulher samaritana

No episódio de Jesus e a mulher samaritana, João nos mostra alguns exemplos de como a língua é utilizada para fazer distinções entre povos:

"Disse-lhe então a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana? (Porque os judeus não se comunicavam com os samaritanos.)" (João 4.9)

Ora, qualquer judeu, saberia muito bem da rixa existente entre judeus e samaritanos. Seria desnecessário João escrever desta maneira para um judeu. Por outro lado, um grego desconhecia por completo este fato. Sendo assim, João introduz no final da narrativa uma explicação de que os judeus não se davam com os samaritanos. Isto seria desnecessário a um judeu, mas não a um grego.
Por usar o termo "os Judeus" João atesta a distinção entre as pessoas judias e não judias.

O evangelho de Lucas

Lucas é outro exemplo de como o Novo Testamento foi escrito em grego.

Lucas era um médico de nome gentio. Seu nome é uma forma abreviada de Lucios (nome grego). Seu evangelho foi escrito também para um gentio grego, Teófilo que significa "amigo de Deus".
Lucas era companheiro de Paulo e viajou muito com o apóstolo em terras gregas (Cl. 4.10-14).
Ele era grego por nascimento e conseqüentemente falava a língua grega.
Um grego escrevendo para outro grego. É óbvio que este evangelho só poderia estar na língua grega e não hebraica.

O estilo introdutório de Lucas

Tanto o livro de Atos como o evangelho segue as características do estilo de cartas usadas pelos escritores gregos.

Se este livro foi escrito em hebraico, é estranho que ele possui traços e estilos de uma escrita grega.

Existem algumas explicações nos escritos lucano que não deixam margem para a constestação de que tal evangelho foi escrito em grego, para um grego. Eis a primeira:

"Aproximava-se a festa dos pães ázimos, que se chama a páscoa." (Lucas 22.1)

Ora, se Teófilo fosse judeu, Lucas não teria de gastar explicações com coisas basilares do judaísmo. Qualquer judeu, desde sua tenra infância sabe que a festa dos pães ázimos é a páscoa. Mas ele precisou explicar isso a Teófilo, pois ele não era judeu, mas grego.

A outra se encontra em Lucas 23.50:

"Então um homem chamado José, natural de Arimatéia, cidade dos judeus, membro do sinédrio, homem bom e justo"

Ora, Lucas não precisaria dizer para um judeu que Arimatéia era uma "cidade dos judeus". Não faz sentido. Mas como um gentio não conhece estas coisas foi necessário dar esta explicação.

Duas traduções


No decorrer do seu evangelho Lucas mostra que Teófilo não era de fato judeu. Os judeus daquela época falavam o aramaico, mas Lucas precisou explicar e traduzir duas palavras simples que qualquer judeu poderia saber perfeitamente.

"Então José, cognominado pelos apóstolos Barnabé (que quer dizer, filho de consolação)"(Atos 4.36)
Barnabé é um nome aramaico. Esta era a língua falada por Jesus e os apóstolos na palestina e pela maioria dos judeus daquela região. Mas Lucas viu uma necessidade de traduzir para o grego o nome aramaico do discípulo.

Outro exemplo temos em Atos 9.36:

"Havia em Jope uma discípula por nome Tabita, que traduzido quer dizer Dorcas"

Lucas novamente socorre seu amigo grego ao traduzir uma simples palavra aramaica para o grego. Tabita traduzido para o grego é Dorcas que significa gazela.

Ora, tradução só é possível quando duas línguas estão envolvidas. Uma palavra não pode ser traduzida dentro da língua que ela mesma faz parte. Uma palavra dentro de seu próprio idioma pode ser no máximo explicada e não traduzida. Mas Lucas usou o termo "traduzir" para explicar o nome da menina em grego.


Palavras e frases da língua hebraica traduzidas para o grego

Existem várias palavras e frases hebraicas e aramaicas traduzidas pelos autores do Novo Testamento que torna injustificável a defesa de um original hebraico para o Novo Testamento. Iremos mostrar abaixo algumas delas:

EMMANUEL

Muitos adeptos do nome Yehoshua acreditam que Mateus foi escrito em hebraico. Todavia existem certas marcas em Mateus características de um original grego e não hebraico ou aramaico.
Por exemplo, Mateus faz uma citação profética de Isaías sobre a virgem e aplica-a em Jesus.

"Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, o qual será chamado EMANUEL, que traduzido é: Deus conosco." (Mateus 1.23)

Isto é o que Isaías havia dito centenas de anos antes de Cristo nascer.

Mateus ao aplicar esta profecia a Cristo traduz a palavra hebraica Emanuel.

Se Mateus estivesse escrevendo em hebraico para pessoas que compreendiam o hebraico, certamente ele nunca iria traduzir uma palavra de sua própria língua para pessoas que estavam familiarizadas com ela!

Isso fica mais evidente quando sabemos que Isaías ao escrever essa profecia em seu livro, ele a escreveu para leitores de fala hebraica (Isaías 7.14). Ele não dá nenhuma tradução para o nome Emanuel, pois seus leitores judeus sabiam o que significava tal palavra na sua língua natal. Desnecessário era fazer qualquer explicação. Mas porque será que Mateus precisou traduzir essa palavra? Simplesmente porque seus leitores não eram judeus e nem ele escreveu em hebraico, mas em grego.

TALITHA CUMI

No Evangelho de Marcos temos outros exemplos de palavras traduzidas:

"E, tomando a mão da menina, disse-lhe: Talita cumi, que, traduzido, é: Menina, a ti te digo, levanta-te." (Marcos 5:41)

Marcos traduziu esta frase aos seus leitores por que nenhum deles conhecia o aramaico, mas somente o grego no qual foi escrito seu evangelho.

ELOI, ELOI

Outro exemplo de uma frase aramaica que Marcos sentiu necessidade de traduzir aos seus leitores foi o lamento de Jesus na cruz:

"E, à hora nona, bradou Jesus em alta voz: Eloí, Eloí, lamá, sabactani? que, traduzido, é: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" (Marcos 15.34)

Jesus estava falando em aramaico e Marcos desejava que seus leitores soubessem o significado daquelas palavras em grego, então resolveu traduzi-las. Isto mostra que Marcos também escreveu seu evangelho em grego. Algo interessante ainda é saber que Jesus usou o nome Eloi e não Yá, ou YHWH.

RABI E RABONI

Outro exemplo nós temos na palavra Rabi e Raboni:

"Voltando-se Jesus e vendo que o seguiam, perguntou-lhes: Que buscais? Disseram-lhe eles: rabi (que, traduzido, quer dizer Mestre), onde pousas?" (João 1.38)

"Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, voltando-se, disse-lhe: Raboni (que quer dizer Mestre)!" (João 20.16)

Rabi é uma palavra hebraica, enquanto raboni é aramaico, ambas querem dizer a mesma coisa. Isto prova que os leitores de João não entendiam nenhum dos dois idiomas. João precisou traduzir ambas para o grego afim de torná-las compreensível aos seus leitores gregos.

MESSIAS

João utilizou a palavra Messias duas vezes em seu Evangelho:

"Ele achou primeiro a seu irmão Simão, e disse-lhe: Havemos achado o Messias (que, traduzido, quer dizer Cristo)." (João 1.41)

"Replicou-lhe a mulher: Eu sei que vem o Messias (que se chama o Cristo); quando ele vier há de nos anunciar todas as coisas." (João 4.25)

A palavra Messias fazia parte da vida dos judeus. A esperança messiânica estava no auge quando Jesus nasceu. Portanto, era inconcebível que um judeu não soubesse o significado desta palavra. Contudo, João precisou traduzi-la para o grego. Pois os gregos não estavam familiarizados com expressões judaicas.
Ao contrário de João, Daniel usou a palavra messias duas vezes em seu livro (9.25,26), mas não precisou dar explicação alguma. Simples, os leitores de Daniel sabiam o hebraico e aramaico no qual foi escrito seu livro. Daniel escrevia para judeus em hebraico e João para gregos em idioma grego.
Os leitores de João não sabiam que a palavra hebraica Messias significava "ungido". Mas a palavra "ungido" em grego era Cristo. Então foi fácil para João fazer a tradução para uma melhor compreensão de seus leitores.

CEPHAS

O sobrenome que Jesus deu a Simão é mais uma tradução que encontramos no primeiro capítulo de João.

"E o levou a Jesus. Jesus, fixando nele o olhar, disse: Tu és Simão, filho de João, tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro)." (João 1.42)

Cefas é uma palavra aramaica muito conhecida para um judeu. Mas João precisou traduzi-la como "Petros" que em grego significa pedra.

GABATÁ

"Pilatos, pois, quando ouviu isto, trouxe Jesus para fora e sentou-se no tribunal, no lugar chamado Pavimento, e em hebraico Gabatá." (João 19.13)

"...saiu para o lugar chamado Caveira, que em hebraico se chama Gólgota," (João 19.17)

Nestas duas frases João primeiro dá o significado delas em grego e depois mostra a seus leitores como os judeus chamam estes lugares em hebraico. Se seus leitores fossem hebreus, seria até ridículo João tentar explicar o significado destes lugares a eles. Mas o caso é que João escreveu em grego para leitores de nacionalidade grega.

ACÉLDAMA

Lucas também lança mão do mesmo artifício quando escreve ao seu amigo grego Teófilo:

"E tornou-se isto conhecido de todos os habitantes de Jerusalém; de maneira que na própria língua deles esse campo se chama Acéldama, isto é, Campo de Sangue)" (Atos 1.19)

Lucas distingui as pessoas de Jerusalém por chamar os judeus de "eles" ("na própria língua deles") e em seguida dá o significado aramaico do campo de sangue, isto é "Acéldama".

Até aqui nós temos visto que todos os cinco primeiros livros que compõe o Novo Testamento foram escritos em grego. Os destinatários destes livros não entendiam hebraico, por isso muitos nomes próprios da língua hebraica ou aramaica precisou ser traduzidos para o grego. Também a distinção entre os povos do qual se fala (judes) e para o qual o escritor está escrevendo (gregos) também é clara. As evidências cumulativas provam sem sombra de dúvida que esses livros foram escritos em grego e não hebraico ou aramaico.

Paulo e os gregos

Certa vez precisei usar um artigo de um Instituto de Pesquisa norte americano. Como eu sabia que os norte americanos falam o inglês, redigi meu e-mail em língua inglesa pedindo autorização para usar o referido artigo. Eu não poderia escrever em português, pois sabia que eles eram americanos e o idioma oficial é o inglês. Eu não poderia escrever em qualquer outra língua, alemão, chinês, italiano. Não. Tinha de ser em inglês o pedido de autorização.

Paulo procedeu da mesma maneira ao redigir suas cartas às igrejas ou pessoas individualmente. Todos eles foram escritos em grego porque o idioma de tais pessoas era o grego e não o hebraico.
Pondere nas seguintes verdades: Paulo não era somente judeu, mas também cidadão romano. Como cidadão romano ele poderia viajar livremente pelo império. Paulo visitou várias cidades gregas e conheceu seus costumes, arte, cultura e religião.

Todas as epístolas que ele escreveu foram para igrejas gregas: Corinto, Gálatas, Éfeso, Colossos, Filipos, Tessalonica; ou para pessoas gregas como Tito, Timóteo e Filemon. É óbvio que ele iria escrever em grego e não em hebraico!

Paulo conhecia bem de perto os jogos Olímpicos, ele chega a usar termos esportivos como figura de linguagem a fim de ilustrar as verdades espirituais: ele fala em coroa (I Co. 9.25) e atleta (II Timóteo 2.5).
Ele conhecia os poetas gregos e até cita uma fala deles em Atos 17.28 e I Corintios 15.33, como aos filósofos cretenses em Tito 1.12.

ABBA

"...pelo qual clamamos: Aba, Pai!" (Romanos 8.15)

Paulo escrevendo aos romanos que não conheciam a língua aramaica precisou traduzir uma palavra que para qualquer judeu era fácil o significado, trata-se da palavra "abba" que significa pai. Isto prova que o livro aos romanos não foi escrito em hebraico ou aramaico, mas em grego.

A epístola aos hebreus

Mas o que dizer então da epístola aos hebreus? Não foi Paulo quem a escreveu?
Ora, se esta epístola foi escrita de fato para crentes hebreus, foi na língua hebraica e não grega!
A objeção levantada acima apesar de sustentar um verniz de lógica, não procede pelas seguintes razões:
1. A epístola é anônima;

2. É diferente das cartas paulinas cuja introdução ou desfecho trazia o nome do autor;

3. Não sabemos quem são seus destinatários.

4. Apesar do Velho Testamento ser citado em abundância, todas as citações são da Septuaginta e não do texto massorético hebraico. A septuaginta era o velho Testamento em grego. É claro que seus leitores, se não fossem gentios, eram judeus helenizados que conheciam o grego. O certo é que todo o livro de Hebreus foi escrito em grego para judeus (?) que falavam esta língua.

Os manuscritos do Novo Testamento

Uma outra prova esmagadora a favor da origem grega do Novo Testamento são os milhares de manuscritos antigos.

São mais de cinco mil manuscritos do Novo Testamento descobertos pelos estudiosos. Todos estão escritos em grego. NÃO HÁ NENHUM EM HEBRAICO. Isto é prova suficiente que Todo o Novo Testamento foi escrito em grego. Até mesmo os manuscritos encontrados nas cavernas de Qumran no mar morto, atribuídos ao Novo Testamento estão em grego. Isso se torna mais importante pelo fato de que os essênios eram judeus extremistas de fala hebraica. Todos os manuscritos do velho Testamento encontrados nas cavernas estão em hebraico.

Até mesmo os Novos Testamentos traduzidos para o hebraico são versões das cópias de manuscritos gregos! Isto é um fato muito importante! Agora pense um pouco: se o Novo Testamento, como dizem os adeptos do "nome sagrado" foi originalmente escrito em hebraico, por que todas estas edições em hebraico precisou ser traduzidas do grego, se por ventura existisse um manuscrito em hebraico? Há uma resposta simples para esta pergunta: é porque NÃO HÁ nenhuma cópia antiga Hebraica do Novo Testamento. Todo os manuscritos antigos estão em grego.

Para tentar derrubar esta prova clara a favor do Novo Testamento em grego, os adeptos do Movimento do Nome Sagrado apelam para especulações e teorias infundadas. Alguns dizem que o original hebraico está escondido na biblioteca do Vaticano, outros acreditavam que as pesquisas nas cavernas do mar morto poderão ainda trazer a tona estes manuscritos em hebraico.
Mas o caso é que nenhuma e nem outra é verdadeira.

Primeiro, que não há prova alguma de que o Vaticano esteja escondendo nenhum manuscrito em hebraico. Este é o mesmo argumento usado pelos fanáticos por "óvinis" (discos voadores). Dizem que o governo norte americano esconde em suas bases militares uma nave com extraterrestres capturados. Segundo eles, o governo norte americano, estaria escondendo a verdade para o mundo.
Segundo, as pesquisas nos manuscritos do mar morto nas cavernas de Qumran, já terminaram e não foi encontrada nenhuma ligação entre a seita essênica e Jesus, como especulavam alguns e muito menos manuscritos do Novo Testamento em hebraico como delirantemente sugerem outros do Movimento do Nome Sagrado. (revista Galileu na edição de Março de 2002, pág. 29)
Sendo assim, este movimento sectário labora em grave erro ao persistir numa tese que não tem o mínimo de fundamento, nem na Bíblia ou na história.

NOMES GREGOS E ROMANOS

É errado usar nomes gregos ou romanos?

Os adeptos do Movimento do Nome Sagrado alegam que nunca os judeus usariam um nome pessoal de uma nação pagã como a Grécia e Roma em seus filhos. Acontece que isto é uma tremenda falta de conhecimento bíblico; muitos personagens bíblicos tinham o costume de serem conhecidos por dois nomes: um judeu e outro gentílico. Outros ainda tinham nomes de deuses pagãos como foi o caso do judeu Apolo, companheiro de Paulo (Atos 18.24).
Apolo era uma abreviação de Apolônio, era o deus da oratória e também representava o deus sol.
Se Paulo se importasse realmente com isso, iria imediatamente trocar o nome de seu companheiro por um nome hebraico, com o sufixo do nome de Deus "yah". Mas, ao contrário dos adeptos do nome Yehôshuah, ele não se importava com isso!

Eis alguns nomes duplos usados no Novo Testamento:

O pescador Simão Barjonas (nome hebraico) recebeu um nome grego (Pedro) pela boca do próprio Messias (Mateus 16.17,18);
Mateus (nome grego) e Levi (nome hebraico) eram nomes de uma mesma pessoa, e não de duas pessoas distintas.
Silas e Silvano eram nomes de uma mesma pessoa, e não de duas pessoas distintas.


"Todavia Saulo, também chamado Paulo, cheio do Espírito Santo, fitando os olhos nele" - Atos 13.9
Saulo de Tarso recebeu o nome de Paulo. Vale lembrar que Saulo é seu nome hebraico (Shaul, transliterado Saul em português) e Paulo, seu nome latino.

"E apresentaram dois: José, chamado Barsabás, que tinha por sobrenome o Justo, e Matias." - Atos 1.23

"Barnabé e Saulo, havendo terminado aquele serviço, voltaram de Jerusalém, levando consigo a João, que tem por sobrenome Marcos" Atos 12.25

"Ora, na igreja em Antioquia havia profetas e mestres, a saber: Barnabé, Simeão, chamado Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, colaço de Herodes o tetrarca, e Saulo" - Atos 13.1

"e Jesus, que se chama Justo..." - Colossenses 4.11

Obs: O apelativo justo também era comum nome próprio judaico, embora de origem latina. (Atos 18.17)

Um outro personagem que possuía dois nomes era o historiador judeu José Ben Matthias cujo nome latina era Flavius Josephus (Flávio Josefo).

Vimos então que os judeus daquela época possuíam dois nomes, um judaico e outro gentílico, mas não se importavam com isso. Agora vem um grupo de pessoas que nem ao menos conhece o básico da língua portuguesa e quer "reinventar a roda" em cima do nome do filho de Deus. Absurdo!!!


JESUS: UM NOME MUNDIAL

Veja logo abaixo como o nome de Jesus Cristo aparece em outras línguas

Observe a passagem de Marcos 1.1 em outras traduções com o nome de Jesus em destaque

(ARA-Brasil) Princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus.

(ALB-Albania) Fillimi i Ungjillit të Jezu Krishtit, Birit të Perëndisë.

(BANGALA) Oyo ezali ebandeli na Nsango Malamu na Yesu Kristo, Mwana na Nzambe.

(BYZ -grego bizantino) arch tou euaggeliou ihsou cristou uiou tou yeou

(CORNLCU-Roma) 'nceputul Evangheliei lui Isus Hristos, Fiul lui Dumnezeu.

(Crl-Haiti) Men konmansman Bon Nouvèl ki pale sou Jezikri, Pitit Bondye a.

(DIODATI -Italiana) IL principio dell'evangelo di Gesù Cristo, Figliuol di Dio.

(DRB-França) Commencement de l'évangile de Jésus Christ, Fils de Dieu,

(ELB-Alemanha) Anfang des Evangeliums Jesu Christi, des Sohnes Gottes;

(FIN-Finlândia) Jeesuksen Kristuksen, Jumalan Pojan, evankeliumin alku.

(GUARANY-Paraguai) Jesús, upe Mesías Tupa Ra'y, marandu pora nepyruha.

(RST-Rússia) Ír÷rëî Lâríalëc? Ccnónr Odcnnr, Nuír Áîcc?,

(Rv-Espanha) PRINCIPIO del evangelio de Jesucristo, Hijo de Dios.

(SANGO-Sango) Commencement ti Tene-ndjoni ti Jésus-Christ, Melengue Tinzapa.

(SHR-Equador) Jui Jesukrístunu shiir chicham nánkameawai. Jesukrístu Yusa Uchirínti.

(UKRAINE-Ucrânia) Dî÷rnîe Sâríalëlz ?nónr Odcnnr, Ncír Áîcîaî.

(VIET-Vietinã) . Ñaàu Tin Laønh cuûa Ñöùc Chuùa Jeâsus Christ, laø Con Ñöùc Chuùa Trôøi.

(VULGATA - Latina) initium evangelii Iesu Christi Filii Dei

O NOME CRISTÃO É PAGÃO?

É errado usar o nome "cristão"?

Segundo, os adeptos do Nome Yehoshuah, sim. Isto porque, entendem que o nome cristão foi dado como uma zombaria aos discípulos de Yehoshuah, e como o termo deriva da palavra grega "Cristo", que segundo dizem veio do nome KRISHNA, um dos deuses do Hinduísmo, os verdadeiros Filhos de Deus nunca deveriam ser chamados de cristãos, mas de "messianitas". Seria isto verdade?

O que é significa o vocábulo cristão?

O vocábulo cristão, christianoi em grego ou christianus em latim, aparece apenas três vezes no Novo Testamento (At 11:26; 26:28 e I Pedro 4:16). A desinência ão (de cristo+ão=cristão) significa "seguidor de, adepto de". Segue a ordem de termos como herodianos (Mateus 22.16) que no grego é herodianoi, isto é seguidores de Herodes.

Os judeus costumavam chamar os cristãos pelo apelido de nazarenos o que para eles era termo depreciativo, porquanto Nazaré era uma aldeia insignificante (João 1.46). Nos escritos de Gregório, ficamos sabendo que os judeus costumavam fazer objeção a esse nome (Cristo) como designação para indicar os seguidores de Jesus, e preferiam chamá-los "galileus". Eles faziam isto porque não queriam associar Jesus com o Messias ungido, pois em grego o termo ungido significa cristo.

O argumento de que o nome cristão era uma zombaria dada pelos pagãos não procede. Bastaria apenas uma olhada rápida nestes três versículos do Novo Testamento citados acima para provar que além de não ser de origem pagã, este nome havia se tornado motivo de orgulho para toda a igreja. Vejamos:

1º exemplo - "e tendo-o achado, o levou para Antioquia. E durante um ano inteiro reuniram-se naquela igreja e instruíram muita gente; e em Antioquia os discípulos pela primeira vez foram chamados cristãos." - Atos 11.26

Comentário: Neste verso podemos saber da origem deste nome.

É interessante que Lucas não faz nenhum comentário depreciativo em cima disto. Ora, se tal nome fora dado pelos gentios para denegrir ou zombar dos discípulos do Messias, Lucas certamente teria acrescentado algum comentário em seguida do tipo: "em Antioquia os discípulos pela primeira vez foram chamados cristãos...para zombarem do nome do salvador Yehoshuah". Mas para decepção da seita do nome sagrado nada foi acrescentado. E sabe por quê? Porque Lucas certamente sabia que tal nome foi dado não como zombaria, mas para identificar aqueles discípulos com seu mestre.

Provas históricas de que os discípulos foram chamados de cristãos

Cornélio Tácito (55-117), um dos mais famosos historiadores romanos, governador da Ásia em 112 A.D.,genro de Júlio Agrícola que foi governador da Grã-Bretanha, escreveu o seguinte sobre Cristo:
"O fundador da seita foi Crestus, executado no tempo de Tibério pelo procurador Pôncio Pilatos." (Tácito, "Anais" XV,44)

Suetônio (70-160),, historiador romano, oficial da corte de Adriano, escritor dos anais da casa imperial em sua Vida de Cláudio, 25.4, conta que o Imperador "expulsou de Roma os judeus em constante agitação por causa de Chrestus". Também diz que "Nero infligiu castigo aos cristãos, um grupo de pessoas dadas a uma superstição nova e maléfica"


2º exemplo - "Disse Agripa a Paulo: Por pouco me persuades a fazer-me cristão. Respondeu Paulo: Prouvera a Deus que, ou por pouco ou por muito, não somente tu, mas também todos quantos hoje me ouvem, se tornassem tais qual eu sou, menos estas cadeias." - Atos 26.28

Comentário: Neste texto podemos entender claramente que até mesmo um rei pagão identificava o nome "cristão" com os seguidores do messias e não com um deus pagão. E não é só isso, Agripa afirma que Paulo queria transforma-lo em cristão. E Paulo responde "Prouvera a Deus que, ou por pouco ou por muito, não somente tu, mas também todos quantos hoje me ouvem, se tornassem tais qual eu sou". E como Paulo era? Simples, um seguidor de Cristo, um cristão. E ele mesmo diz que queriam que todos fossem como ele, um seguidor de Cristo, um cristão.

3º exemplo - "mas, se padece como cristão, não se envergonhe, antes glorifique a Deus neste nome." - I Pedro 4.16

Comentário: Este verso quase que dispensa comentários, tamanha é a clareza do texto. Pedro diz duas coisas a respeito do nome "cristão":
Primeiro, era um nome do qual não deviam se envergonhar.
Segundo, era um nome que glorificava a Deus. Duas coisas que os adeptos do Nome Yehoshuah não podem fazer, pois incessantemente blasfemam deste nome maravilhoso. Com certeza eles não são cristãos!

O nome Cristo veio de Krishna ?

Foneticamente os dois nomes são parecidos, mas etmologicamente não. Suas origens são completamente diferentes. É a mesma coisa que dizer que o nome Yeshua deriva de Exu, um falso deus africano.
A própria Bíblia nos diz o significa do nome-título Cristo:

"Ele achou primeiro a seu irmão Simão, e disse-lhe: Havemos achado o Messias que, traduzido, quer dizer Cristo" - João 1.41

Portanto, o Cristo grego é o mesmo Messias judaico e ambos significam "ungido".

Por outro lado, Krishna vem do sânscrito uma língua indiana. Na literatura hindu, chamada Bhagavad-Gita, Krishna é a encarnação do deus Brahama. Deixemos que os próprios Hare Krishna dêem o significado deste nome: "Na Bíblia Ele é chamado de Jeová ("O Poderoso"), no Alcorão por Alá ("O Grande") e no Bhagavad-gita por Krishna, um nome em sânscrito, que quer dizer "O Todo atrativo"." (http://www.gopala.com/paramgati/ )

O que a seita dos Hare Krishna dizem sobre a palavra Cristo?

"A palavra Cristo ou "Christos" é a tradução grega do Hebraico "Messias" que quer dizer "o consagrado ou o ungido".
(http://www.harekrishna.com.br/)

Como todos podem ver, são os próprios Hare Krishna que desmentem os adeptos do Nome Yehoshuah, porquanto há um enorme abismo entre o falso deus Krishna dos hindus e o verdadeiro Deus e a vida eterna dos cristãos - Cristo.
Para finalizar podemos dizer que os seguidores do Messias eram conhecidos por vários nomes tais como: galileus, nazarenos (At.24.5) e cristãos, mas nunca jamais por messianitas.


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